VEJA NOVO CLIPE DO ELI EFI (EX-DMN), E LEIA ENTREVISTA

Se um dia você ouviu falar em rap politizado no Brasil, esse cara é um dos principais expoentes da luta racial no Brasil e dentro do RapBrasileiro.

Eli Efi, mc e fundador do grupo de rap D.M.N. – Defensores do Movimento Negro.

Hoje morando em NY, Eli Efi, acaba de lançar clipe com a participação de MC Maniphes, e Samuel I. Produzido por Blood ZNO de Santos SP, e filmado por L Burnz no Bronx, e mixado por Tavi Fields no Brooklyn.

“Winter In NY” conta um pouco a rotina maluca de viver como imigrante na cidade de Nova York

LEIA A ENTREVISTA ABAIXO E EM SEGUIDA VEJA O CLIPE

 

HHR – COMO FOI A UNIÃO DESSA RAPAZIADA BRASIL, NY PARA COMPOR ESSE SOM?

Primeiramente eu quero agradecer a você Freitas pela a oportunidade de propagar esse vídeo de uma união entre 3 artistas Muito obrigado. O primeiro é o musico e produtor BloodZNo que teve a brilhante ideia de criar esse Beat que quando eu ouvir pela primeira vez há quatro anos atrás ja fiquei louco com a vibe e segundo é o meu parceiro daqui de New York MC Maniphes (filho de brasileiro nascido em NY) que é também um produtor, compositor e grafiteiro que escreveu o primeiro verso por gostar muito também do beat e já entrar nesse clima da vida e do clima frio de New York City e o Outro é o Samuel i que é Porto Riquenho, rappers e artista plástico que depois que ouviu os nossos versos entrou no clima para deixar a marca dele. E foi uma união muito tranquila porque já tínhamos amizades e discutíamos musicas todo o tempo.

 
HHR – VC JÁ ESTA NOS EUA A ALGUNS ANOS, LARGOU UMA CARREIRA SOLIDA NO HIPHOP BRAZUCA PARA APOSTAR NA AMÉRIA, A NA MUSICA CV FALA SOBRE OS PERREIROS QUE UM IMIGRANTE PASSA, COMO CONSEGUIU MANTER A POSTURA QUE CONHECEMOS TAO LONGE DE CASA?

Na verdade não foi e não esta sendo fácil estar fora do meu lugar onde me deu tudo que sou como ser humano e as dificuldades começam a partir disso. Eu cheguei aqui em 2005 como qualquer outro imigrante que vai batalhar para entender como funciona essa grande cidade onde comporta gente do mundo inteiro. Eu tive a sorte de dar os meus primeiros passos com a minha parceira Dj Laylo que me deu um norte de como esse lugar se movimenta e fui me adaptando aos poucos e ampliando os meus espaços. Hoje sou arte educador em uma escola pública há 6 anos e também trabalho como engenheiro de áudio numa organização que se chama The Door http://www.door.org/ há 3 anos onde tenho produzido e gravado jovens que vivem em albergues e carregam o talento natural da cultura hip hop. Acho que isso tudo esta sendo um alivio de estar longe de casa e continuar fazendo o que eu sempre gostei e acreditei, só transferir pra cá o que já tinha iniciado ai.

 
HHR – E OS PLANOS, PRETENDE UM DIA VOLTAR PRO BRASIL? LANCAR UM ALBUM CHEIO?

Então estou trabalhando no meu álbum já tem alguns anos e entre as tarefas que tenho que fazer aqui e mais as neuras que da de vez em quando sobre a responsabilidade de fazer um álbum solo, já que inicia minha trajetória no hip hop como grupo. A outra coisa é pensar sonoricamente algo entre as modernidades que surgiram depois dos anos noventa e ter um equilíbrio entre essas duas gerações do hip hop e continuar sendo o Eli Efi de sempre. Enquanto a voltar para o Brasil eu tenho planos de estudar bastante musica aqui e a forma que os pretos tem se organizado em alguns sentidos aqui para ver de que forma possa adaptar alguns valores disso tudo na luta contra o racismo no brasil e as coisas ainda tão primitiva que em 2015 ainda não foram superadas. Acho que estamos nessa vibe tecnologica onde toda informação circula de maneira muito rápida e também pode acontecer da mesma forma com as coisas que ajudaria mudar essa triste realidade que ainda afeta milhões de pessoas Negras e pobres no Brasil como por exemplo o direito de estudar dignamente que já é um passo enorme para uma transformação. Aqui os pretos estão na terceira ou quarta geração de que fez faculdades enquanto no Brasil ainda é um sonho. Uma coisa básica na profissionalização da população brasileira mais que tem essa divisão classista e racista que impede. Essas são basicamente minha meta e sim lançar meu disco quando estiver prontinho ai nessa terra que eu simplesmente amo mais ainda!

 
HHR – E PRA FINALIZAR, BRASIL E EUA, COMO VOCÊ VÊ O MERCADO AI E AQUI, O QUE FAZEM AI É HIPHOP AINDA?

O hip hop aqui é a cultura do país assim como no brasil a cultura é o samba por exemplo. As pessoas respiram hip hop desde sempre e faz parte do dia a dia notoriamente falando. No Brasil ainda existe essa divisão e falta de assumir como cultura popular e ter o mesmo respeito que se dão para outros ritmos como o Axé, o Samba, o Sertanejo, o forro, o maracatu etc…é uma questão mesmo de encarar dignamente uma cultura que mudou a realidade dos jovens brasileiros principalmente na geração que faço parte que serviu de alicerce para esse nova geração estar desenvolvendo sua arte e tendo visibilidade através de muitos esforços já que não existe um comprometimento definido culturalmente com essa forma expressiva de arte. Eu acho que precisa amadurecer essa mentalidade de que o hip hop é a cultura pobre do Brasil ou vir com a ideia de que é ritmo importado porque nunca falaram isso do rock brasileiro que também veio de fora e nem da bossa nova que veio dessa fusão do jazz num requinte e tempero brasileiro onde o mundo inteiro ate os dias de hoje ajoelham. Enfim…o hip hop aqui embora eu tenho muitas criticas por estar lidando com isso diariamente ainda esta num nível de aprovação muito avançado em relação ao nosso país não pela forma de produzir ou conduzir mais sim pela forma de investimentos e reconhecimento como arte profissional. Minha critica é a forma que hoje se apresentam o hip hop por não fazer mais parte dos selos independentes poderosos que existiam nos anos 80 e 90. Hoje tudo faz parte do mainstream onde todos são de grandes gravadoras e controlados por pessoas que só querem mesmo é recolher o benefícios disso e determinam postura, temas numa embalagem de entretenimento e fica nítido a forma que isso foi drasticamente mudado especialmente nos temas, e na iluminação praticamente dos grupos de R&B. Hoje a maioria são solos e também e as cantoras são as de peles mas claras e dentro do hip hop em destaque nos rádios não se tem a presença feminina como havia nos anos 90 dentro do hip hop que hoje são representada pela Nick Minaj. Enfim sou observador e critico disso tudo porque sinto que isso tem frustrado inúmeros talentos aqui que não se identificam com o que se tocam no radio diariamente.

Essa são as minhas visões e observações como um expoente dessa cultura que mudou a realidade no mundo todo!

Um abraço a todos e apoiem as ideias que ainda tem sentimento e valores importantes para a humanidade porque é isso que faz a diferença no final do dia contra as coisas que são empurrada goela abaixo em nossas vidas!!!

Paz Eli Efi – www.facebook.com/eli.efi / http://soundcloud.com/eli-efi

VEJA CLIPE

Aritcle From: http://www.hiphopreal.com.br/site/veja-novo-clipe-do-eli-efi-ex-dmn-e-leia-entrevista/